• Festina Lente

O mundo, a pandemia e as "cartas fora do baralho"

Atualizado: 22 de Out de 2020


Hoje é 17 de março de 2020, uma terça-feira que poderia ser como todas as outras, mas que está longe de ser. O Vírus COVID-19 conhecido como Corona Vírus se espalha pelo mundo.


Ao me atualizar sobre notícias, capto o relato de uma italiana que descreve as condições precárias dos hospitais na Itália, país mais afetado após a China. Sem qualquer condição de abrigar ou atender devidamente a população afetada pelo vírus, os médicos devem escolher os que têm mais chances de viver. Não há respiradores para todos e aqueles que tem 65 anos, ou mais, não possuem prioridade no atendimento. Considerados cartas “fora do baralho”, a população ‘idosa’ do país está morrendo, sozinha – pois o risco de contágio é grande –, sem sequer ter tido acesso ao benefício dos aparelhos que facilitam a respiração.


Observamos, em choque, a morte rápida de uma camada da população mundial idosa que custou a se formar e que lá chegou graças ao esforço da ciência e à muita pesquisa: de vacinas, de medicamentos e de tratamentos. No entanto, as pessoas mais velhas estão sucumbindo por falta de infraestrutura de atendimento e precariedade de sistemas de saúde.


E, cá estamos, lançando a Plataforma Festina Lente que pretende divulgar artigos e matérias sobre longevidade, bem-estar, qualidade de vida, aprendizagem contínua. Pergunto-me se estamos na contramão da história e se nosso propósito parece idealista, ou, se ao contrário, estamos no caminho certo, tentando mostrar que os 60+, 70+, 80+ são ainda anos produtivos, ativos e que, como grupo, podem contribuir, e muito, para a nossa sociedade. Quero crer que o momento de dar suporte e de reforçar o ativismo entre idosos é justamente este.


Idadismo é como designamos o preconceito contra idosos. Frente a uma pandemia, tornam-se um grupo com alto risco de extermínio, pois são percebidos como pessoas de maior fragilidade física – portanto, com menos chances de sobrevida – e, equivocadamente, como “cartas fora do baralho”, ou, sem maior função social. Chegou a hora de tentarmos restabelecer o lugar dos 60+ na sociedade e de defender que tenham direito ao atendimento ideal e, portanto, à vida, tanto quanto todos os outros cidadãos.


Cabe, sim, aos países, se equiparem para a nova realidade da longevidade e aprenderem com as lições desta pandemia. Parece-me, também, mais que oportuno termos criado uma Plataforma de conteúdo voltada exclusivamente para essa faixa etária.


É hora de cada vez mais valorizarmos a geração de idosos que tende a crescer ativa e produtiva dentro de nossas sociedades. Há lugar e função para todos. Juntos seremos mais criativos na busca de soluções.


Texto por Ana

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