Entrevista

com

Heloisa Yoshida

Título 2

Entrevista com Heloisa Yoshida

NOSSA convidada para inaugurar a sessão de ENTREVISTAS do FESTINA LENTE 50 é Heloísa Yoshida. Ela irá nos falar de redirecionamento de vida e de carreira após os 50 anos. Heloísa é psicóloga clínica de crianças e adolescentes; terapeuta de casal e de família. Orientadora vocacional e de carreira. Hoje coordena um programa super bacana, que vai interessar a muitas mulheres, especialmente as que estão próximas dos 50 anos: o CINQUENTAÇÃO.

WhatsApp Image 2021-01-19 at 14.12.32.jp

Foto: Roberto Bellonio

FESTINA LENTE (Ana): Fale um pouco sobre como surgiu a ideia do CINQUENTAÇÃO...

 

H. YOSHIDA: O projeto nasceu em 2020 quando comecei a delinear um programa para mulheres entre 49 e 59 anos. Tudo começou na clínica, com a interação entre mães e adolescentes. Muitas mães, depois que seus filhos resolviam seus próprios conflitos, me procuravam e perguntavam se seria possível eu iniciar um processo de orientação profissional com elas. Precisavam de um lugar de escuta onde gostariam de trabalhar novas formas de retomar os sonhos da adolescência e do início da vida adulta. Iniciávamos então esse processo com essas mulheres, que em sua maioria viveram para o casamento e para a maternidade a maior parte de suas vidas, e que agora desejam dar maior atenção às suas vidas pessoais. Surgiu assim os CINQUENTAÇÃO.

 

FESTINA LENTE (Ana):

É incrível, Heloísa, como hoje, em pleno século 21, nós ainda vemos a enorme dificuldade de as mulheres conjugarem vida profissional com a casa e família. Quando você conversa com essas mulheres, como elas se colocam? Elas ainda se veem com esse poder de realização? Elas querem primeiro fazer alguma reciclagem ou entrar direto no mercado de trabalho?

 

H. YOSHIDA: Na realidade, a mulher quer ter vida, satisfação, se auto realizar como pessoa. Essa é a grande demanda. Quando eu recebo esse pedido, iniciamos um processo de terapia e orientação vocacional. A mulher que interrompeu a escolaridade no segundo grau, por exemplo, vai precisar escolher um curso universitário, caso ela escolha uma carreira que exija graduação. Tem muitas mulheres que já têm aptidões e hobbies e que desejam transformar isso em uma profissão. Então, tudo vai depender muito de cada mulher. Temos que pensar em um projeto com olhar personalizado para cada uma delas.

No CINQUENTAÇÃO, a mulher vai olhar para o passado dela e avaliar o que foi bom, o que ela quer manter do seu passado no presente e no futuro e o que ela não quer mais para sua vida nas próximas décadas. A terapia vocacional é isso: um processo de auto conhecimento em que as pessoas vão descobrir e/ou identificar suas habilidades e as que gostaria de trabalhar e sair com um plano de ação de como alcançar os objetivos dela.

FESTINA LENTE (Martha): Heloísa, pelo que você está falando, a porta de entrada dessas mulheres com quem você tem trabalhado é esse desejo de recolocação no mercado de trabalho, de desenvolvimento de novas habilidades. Você também identificou outras portas de entrada?

 

H. YOSHIDA: A principal demanda é realmente de auto realização. A outra demanda que existe, paralela e junto a essa, é a de gerar renda para ter liberdade, segurança e estabilidade financeira.

 

FESTINA LENTE (Martha): Fale um pouco sobre a sua metodologia.

 

H. YOSHIDA: Minha metodologia de trabalho é o que chamo de a roda “Universo Sistêmico da Mulher”, desenho um círculo e o divido em 12 fatias.

Algumas das fatias são: saúde, corpo-beleza, relacionamento íntimo, amigos e lazer, trabalho e carreira, entre outras. São áreas da vida de todo mundo. Eu vou fazendo perguntas para medir o nível de satisfação da pessoa em cada uma das áreas da Roda. Com isso, é possível fazer um diagnóstico da satisfação em relação `a vida naquele momento. No final, depois de preenchida, a roda fica como um gráfico em pizza, onde a mulher pode ver a cores e concretamente o alinhamento, ou desalinhamento dessa roda. Porque a roda pode estar simétrica ou assimétrica. (Simétrica, quando todas as áreas têm mais ou menos o mesmo nível de satisfação. Assimétrica, quando algumas áreas receberam “notas” de satisfação muito diferentes das outras.) Avaliamos assim o seu bem estar psicológico, emocional e sua saúde mental.

O que é importante ressaltar é que o objetivo do CINQUENTAÇÃO não é só a reflexão e a conversa, mas sim colocar em ação um plano. Criar, fazer emergir nas conversas um plano de desenvolvimento para conquistar aquilo que se quer, porque com as reflexões e as ferramentas de coaching a mulher vai elaborar um plano de ação para conquistar aquilo que ela deseja.

 

FESTINA LENTE (Ana): Eu achei muito interessante porque essa roda vai mostrar o que a pessoa está assinalando como importante. Fico imaginando se não seria uma espécie de “espelho”, onde a pessoa está refletindo ali como se sente.

 

H. YOSHIDA: Sim, é muito interessante! Muitas clientes já me encontraram na rua e relataram terem refeito a Roda quando estavam sentindo que algo não ia bem. Disseram que elas mesmas identificaram o que não estava bom, procuraram recursos e voltaram ao equilíbrio.  Funciona como um “auto-coaching”.

 

FESTINA LENTE (Martha): Mais uma vez pudemos perceber que nossos trabalhos têm muitas similaridades. Nosso livro, Festina Lente, foi o resultado de uma pesquisa também com mulheres de 49 a 59 anos. Percebemos esse desejo da mulher de se encontrar e se repensar, seguir a sua vida igual ou diferente, com mais ou menos bagagem. Acho que são trabalhos que se complementam e espero que possamos sempre ter momentos de troca como este.

Você vai lançar seu programa, aberto para mulheres a partir de fevereiro e para maiores informações compartilhamos aqui a sua página de Instagram (@heloisayoshidapsicologa). Espero que você tenha muito sucesso com o seu trabalho.

 

FESTINA LENTE (Ana): Como a Martha falou, seu trabalho dá continuidade ao nosso estudo @aos50cinquenta, para o qual lemos muito sobre longevidade, reinvenção de vida e carreira aos 50 anos.

O IBGE, há 10 anos, começava a mostrar que o grupo etário de +60 anos estava crescendo em grande velocidade e percebia-se já que esse coorte precisava ser mais ouvido, precisava se reintegrar, se reinserir na sociedade. Recentemente fizemos dois podcasts, pelo Festina Cast, falando sobre isso: um com Ana Sepúlveda, sobre economia da longevidade e o outro sobre a longevidade no cotidiano com a jornalista Mariza Tavares. Queremos defender a importância de as mulheres, e dos homens, se reinventarem a partir dos 50 anos e de se reinserirem de forma ativa na vida e/ou no trabalho. Nessa fase da vida hoje temos mais tempo, oportunidades e futuro pela frente.

H. YOSHIDA: Muito obrigada pelo convite, Ana e Martha! Até a próxima!